quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Juca Ferreira: eleitorado de Marina tem 3 perfis distintos


Do Terra
Claudio Leal
Dissidente da candidatura de Marina Silva (PV) à presidência, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, retoma a militância pró-Dilma Rousseff e apoia dois manifestos de artistas, intelectuais e ambientalistas em defesa da aliança com a candidatura petista no segundo turno. Em março de 2010, Ferreira pediu a suspensão da filiação ao PV e acusou o partido de servir de "sublegenda" de José Serra (PSDB).
O ministro identifica três tendências predominantes entre os verdes. A primeira, de reconhecer que os votos de Marina (19,33% no resultado final do TSE) pertencem aos eleitores e não cabe orientá-los a favor do PT ou do PSDB. A segunda, liderada por Fernando Gabeira e José Luiz Penna, acompanha Serra. E a terceira, mais programática e favorável a um debate sobre os temas ambientais, penderia para Dilma. "Não vejo uma quarta", diz Ferreira.
"O eleitorado de Marina tem várias motivações. A programática abarca o maior número de eleitores, que defendem a sustentabilidade e o discurso ambiental. Para outro eleitorado, o importante é a questão ética, a fragilidade da maneira como a política é feita no Brasil. Há também o da questão de identidade religiosa. São segmentos nitidamente diferentes e que estão se encaminhando para engajamentos distintos", analisa o ministro da Cultura.
Juca Ferreira não participa, diretamente, do manifesto de artistas e intelectuais favoráveis a Dilma, mas fará sugestões ao texto final. "Por excesso de trabalho, vou ler depois e dar uma contribuição. Participo da redação do manifesto de ambientalistas. Há muitos circulando... Deve ter uns 200 manifestos!", brinca.

Comentário:

1 - Tanto a campanha da Dilma quanto os simpatizantes precisam perceber que as quase 20 milhões de votos obtidos por Marina Silva foram colhidos nos mais diversos tipos de classe social. Então, é demais importante levar em consideração as características, sonhos e expectativas de cada interlocutor.
2 - É preciso começar a moderar a centralidade do fator Marina para o dia 31. Isso não quer dizer, deixá-lo de lado. É preciso, primeiro, defender as proposituras da Dilma e seu programa de governo e, segundo, observar com atenção o cenário da campanha.
3 - Os esclarecimentos e debates com amigos, familiares e pessoas na rua são essenciais; mas não podem ser pautados pela reposta às acusações e sim pela ruptura com o preconceito e a instrução por uma escolha racional e equilibrada.

 

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